Sexta-feira, 24 de Novembro de 2006

EUREKA

" Qualquer corpo mergulhado num líquido sofre uma impulsão vertical de baixo para cima que é igual ao peso do volume de líquido deslocado " ( Princípio de Arquimedes ).

                     Nunca esqueci o Princípio de Arquimedes e isso deve-se provavelmente ao facto de ter tido uma professora que não se limitava a despejar a matéria, mas, pelo contrário, tentava encaixá-la nas nossas cabeças de uma forma aliciante, acrescentando sempre qualquer pormenor ou episódio que, por associação de ideias, nos levava a fixar coisas que perduraram até agora. Hoje recordo o dia em que, a propósito do Princípio de Arquimedes, ela se alargou numa descrição entusiasmada da forma como Arquimedes, perante a descoberta que acabara de fazer, saltara da tina onde se banhava e desatara a correr todo nu gritando: "Eureka! Eureka! Eureka!". Perante o ar apalermado que devia transparecer nas fisionomias da turma que tinha na sua frente, ela perguntou: "Sabem o que significa a palavra eureka ? ". Ficou tudo mudo e quedo que nem um penedo, ninguém fazia a mínima ideia. Então, ela apressou-se a explicar: " Eureka é uma palavra grega que significa achei, descobri, encontrei  ". Do fundo da sala, alguém soltou uma risadinha que não conseguira conter e a professora, esticando o dedo para a aluna em questão, perguntou: " O que se passa? Qual é a graça para também podermos rir? ". Muito atrapalhada e ainda engasgada pelo riso, ela respondeu: " É que eu pensei que a Eureka era a mulher do Arquimedes e que ele estava a gritar para ela lhe trazer a toalha ". Imaginam como acabou aquela aula, foi rir até às lágrimas. Depois de terminar o liceu, nunca mais vi a professora e tenho pena, mas sempre que me recordo dela não consigo dissociá-la da Eureka que a minha colega de turma acasalou com Arquimedes.

sinto-me: saudosa
publicado por mmfmatos às 17:38
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2 comentários:
De a partir de hoje só Zé a 24 de Novembro de 2006 às 21:40
Pela vida fora vamos conhecendo pessoas que nos marcam mas aos quais acabamos por perder o rasto.
Tive uma professora que me deu aulas na segunda classe e depois se foi embora, voltando, novamente, para nos dar a quarta classe.
Era muito nova (cerca de 22 anos) quando apareceu lá na terra mas era uma mulher de fibra e com ela ou aprendíamos ou ficávamos sem orelhas. Os puxões das ditas e os tabefes punham toda a gente em sentido.
Para o fim do ano lectivo, como ela tinha alunos para o exame de admissão, obrigava-nos (aos filhos dos "tesos" que iam ficar por ali) a ficar mais uma ou duas horas com eles. No fim do ano só um aluno não foi a exame e foi o único que chumbou.
Tinha-lhe perdido o rasto, quando ela veio para Lisboa, e depois de eu próprio ter vindo para a capital, voltei a encontrá-la uma ou duas vezes, por volta dos meus treze anos. Um dia, tinha eu trinta e sete anos, estava em Armação de Pêra, estendido na praia com a família quando ouvi atrás de mim a voz inconfundível da D. Maria Manuela Assunção do Rosário Marques, natural de Mouriscas, perto de Abrantes e que costumava responder ao nosso "atão" em vez de então, com um: - Atão era de Abrantes e vendia sabão! Chamava pelo nome que só ela e mais tarde a minha sogra, me chamava (o primeiro e o segundo nome próprio com o qual embirro desde puto). Reconheci, de imediato, a voz daquela "menina" que eu conheci ainda solteira. Estava na casa dos cinquenta, tinha duas filhas formadas e continuava a dar aulas em Lisboa mas durante vinte e cinco anos nunca nos voltamos a encontrar.
Voltei a vê-la duas ou três vezes, a passear pela praia com o marido "velhote" que eu conheci um jovem engenheiro agrónomo, que ia buscá-la à escola quando ainda namoravam. Voltei a perder-lhe o rasto (e já lá vão mais dezassete anos) mas sempre que se fala nos problemas do ensino na actualidade, lembro-me sempre da importância que aquela professora teve na minha vida.
Porra, que já escrevi quase tanto como tu eheheh.
Beijinho e bom fim de semana.
De aminhoca a 27 de Novembro de 2006 às 01:17
Eureka e Arquimedes !!!!!! :-) Olha que até formam um "casal de nomes" muita giro. Se um dia vier a ter um casal de qualquer coisa (hoin hoin hoin) ficas a madrinha, à conta da história!!!!!

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