Domingo, 26 de Março de 2006

ATRIBULAÇÕES DE UM GATO CHAMADO HUMPHREY

Chamava-se Humphrey e já farto de ser um gato vadio, resolveu mudar de vida. Abandonou os telhados de Londres e as gatas de rua para se infiltrar sub-repticiamente numa casa acolhedora e confortável onde pudesse passar o resto dos seus dias sem privações nem sobressaltos. No entanto, não escolheu uma casa qualquer, deu-se ao luxo de escolher a residência oficial do primeiro-ministro britânico. O dito Humphrey entrou no nº.10 de Downing Street e por lá ficou durante os governos de Margaret Thatcher e de John Major, mimado por todos, comendo e bebendo do melhor. Á portuguesa seria um verdadeiro boy, mas sem job, à inglesa poderemos dizer que tinha uma vida de Lord. Com a vitória do Partido Trabalhista e a entrada da família Blair para o nº.10 de Downing Street, o gato levou sumiço. A oposição conservadora levantou-se em peso e no meio de acalorados debates parlamentares, Tony Blair foi acusado de ter mandado abatar o bichano que entretanto se tinha convertido na mascote do Reino Unido. A razão para o gaticídio, segundo as más-línguas da oposição, seria o facto da Sra. Blair não gostar do animal. Um deputado conservador de nome Alan Clark chegou mesmo a declarar que caso o desaparecido Humphrey não fizesse uma aparição pública se manteria a suspeita do abate. O governo trabalhista, para apaziguar os ânimos até forneceu à imprensa fotografias do gato para provar que ele se encontrava vivo e o gabinete de Tony Blair chegou a emitir uma nota informando que Humphrey tinha sido enviado para casa de um funcionário para ser tratado porque se encontrava doente e que Cherie Blair até estava muito pesarosa por se ter separado do felino. Mas como sempre acontece, o povo não acredita nos políticos e para acalmar a revolta da Associação de Defesa dos Gatos, a Sra.Blair viu-se obrigada a aparecer em fotos segurando nos braços, carinhosa e maternalmente, o pomo da discórdia, ou seja, o gato Humphrey. Agora, o porta-voz de Downing Street anunciou a morte do gato. Depois de tantos conflitos e de quase ter provocado uma crise política, Humphrey acabou mesmo por se finar, presumo eu que de morte natural pois o bichano também já estava avançado na idade.

Parece anedota, mas é verdade. A notícia saíu no Público de 21 de Março. Perante isto, nunca mais se atrevam a criticar os nossos deputados pelo facto de dormirem nas sessões da Assembleia da República porque é preferível eles estarem a dormir do que a discutirem o paradeiro de um qualquer gato chamado Ambrósio ou Anacleto que se tenha introduzido clandestinamente no Palácio de S. Bento.

 

publicado por mmfmatos às 12:35
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2 comentários:
De José S. a 27 de Março de 2006 às 23:33
Era o que fazia falta em São Bento, um gato que desse caça a esta cambada de ratos de esgoto que tão mal gerem o país.
Grande abraço. (já vou dar uma espreitadela ao Telescópio)
De Maria Papoila a 29 de Março de 2006 às 12:07
Que tens tu contra os gatos Gato Escaldado? Talvez que a discussão parlamentar sobre um gato desaparecido, tivesse mais interesse que muitas delas... Beijo

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